domingo, 5 de outubro de 2008

Enquant isso no Brasi... (Parte II)

Com a crise atual dos Estados Unidos, a maneira mais fácil de o mercado brasileiro ser afetado é pela falta de crédito. Neste cenário, há menos dinheiro no mercado e os bancos por todo o mundo estão mais cuidadosos e com isso diminuem o número de empréstimos e cobrado maior taxa de juros sobre eles.

Os bancos brasileiros também já estão encontrando taxas muito altas para tomar empréstimos no exterior. A expectativa é que essa situação afete o crescimento do crédito no Brasil, de forma geral, e a capacidade de investimento das empresas, em particular. A falta de crédito internacional também pode afetar empresas estrangeiras que planejam fazer investimos diretos no Brasil.

A dúvida entre os especialistas é a intensidade desse enxugamento do crédito. O governo brasileiro tem se mostrado preocupado com o assunto e afirma que poderá criar alternativas de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros bancos públicos.

A Bovespa (Bolsa de valores de São Paulo) tem sofrido sucessivas quedas e nos primeiros nove meses do ano já havia acumulado perdas da ordem de 25% (com a volatilidade, esses valores têm mudado muito rapidamente).

O impacto dessas quedas na economia em geral é limitado pelo tamanho da bolsa brasileira. Apesar do crescimento dos últimos anos, a Bovespa ainda tem um número relativamente pequeno de empresas, com 397 companhias listadas. A Bolsa de Valores de Nova York, por exemplo, tem 2.365.

Além disso, embora o montante de dinheiro negociado na bolsa brasileira seja alto, há uma grande concentração em grandes empresas como a Petrobras e a Vale. Apenas essas duas empresas têm representado em média 40% do valor negociado na Bovespa neste ano.
Apesar disso, a queda nas bolsas afeta a economia real por pelo menos duas vias: quem investiu na bolsa tem menos dinheiro para gastar, e as empresas têm que procurar outras fontes de financiamento.

Um dos poucos consensos entre os economistas em meio à atual crise é que a economia brasileira deve diminuir seu ritmo de crescimento. Para Antônio Madeira, da consultoria MCM, mesmo com todas as mudanças, o PIB brasileiro deve subir por volta de 5,5% em 2008. Para 2009, ele acredita que esse número deve ficar entre 3,8% e 3,5%.

Os números variam um pouco dependendo da fonte, mas a grande maioria dos analistas trabalha com faixas parecidas.

O motivo da queda é que mesmo que o Brasil não seja muito atingido pela crise externa, as diferentes fontes de contaminação devem contribuir para derrubar a atividade econômica. Além disso, o próprio BC brasileiro está com uma política de aumentos de juros com o objetivo de reduzir o crescimento no ano que vem.

domingo, 28 de setembro de 2008

Enquanto isso no Brasil...

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) deu declarações esta semana de que acredita que a crise americana não terá impactos significativos sobre o crescimento da economia brasileira. Segundo dados o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2008 deve ficar próximo da projeção divulgada em março pelo organismo, de 5,2%.

Leornado Mello, economista responsável pela análise do nível de atividade econômica, em entrevista ao portal G1, ressaltou que mesmo um crescimento zero nos dois últimos trimestres do ano já garantiria um avanço de 4,7% no PIB em 2008, enquanto uma desaceleração do ritmo para 0,5% em cada trimestre significaria um crescimento anual de 5,1% na economia.


Nonnenberg comentou que o maior impacto da crise americana deve ocorrer sobre o fluxo comercial brasileiro, via queda dos preços das commodities. Para ele, as exportações brasileiras devem sofrer influência mais forte, mas apenas no ano que vem.

Apesar da suposta tranquilidade das autoridades, que acreditam que em médio e longo prazo as perdas nas ações será recuperada, algumas empresas de exportação está sofrendo muitas perdas em suas ações.

A Aracruz reconheceu que algumas de suas aplicações financeiras foram fortemente influenciadas "pela recente instabilidade das cotações do dólar norte-americano decorrente do momento de grande volatilidade dos mercados mundiais".

A Sadia é outro exemplo de empresa que perdeu com a crise. Esta semana revelou que perdeu R$ 760 milhões com a crise internacional. Em comunicado ao mercado, a Sadia justificou o prejuízo devido à "severidade da crise internacional e da alta volatilidade da cotação da moeda norte-americana".

Ainda para amenizar os efeitos da crise, o Banco Central brasileiro decidiu colocar R$13,2 bilhões de reias no sistema financeiro brasileiro esta semana. A medida foi tomada para ajudar os bancos brasileiros a capturar recursos de depósitos no BC. Além disso, foram tomadas outras duas medidas para preservar o sistema financeiro nacional. A primeira delas é a liberação de R$5,2 bilhões que deveriam ser transferidos ao BC na forma de compulsório adicional ( regra estabelecida pela autoridade monetária para controlar o volume de dinheiro no mercado). A segunda decisão adia o cronograma para recolhimento do compulsório sobre depósitos de empreasa de leasing.

O Brasil está em uma posição favorável pois possui ainda reservas que estão aliviando os efeitos da crise. A situação só se tornará grave para o país se o preço das commodities ( produtos com preços definidos no mercado internacional) cair. E se estes preços cairem, consequentemente as ações também vão cair, causando prejuízos ao Brasil.

O socorro há de esperar

Essa semana foi muito agitada para os assuntos econômicos. Agitos, reuniões e declarações, mas até agora nada saiu do papel. O objetivo inicial era para sexta-feira dia 19, mas devido a embates entre republicanos e democratas, e ainda entre senadores, o plano não foi aprovado.Estamos falando do plano de salvação proposto por Bush.

Henry Paulson, secretário do Tesouro americano, apresentou o projeto que pede a liberdade irrestrita ao Tesouro para comprar dos bancos títulos lastreados em hipotecas e outros papéis desvalorizados e poucos líquidos. Os democratas exigem que o pacote inclua a recompensa de hipotecas inadimplentes e refinanciamento para os mutuários – nos moldes de Home Owners’ Loan Corporation, agência criada durante a Grande Depressão nos anos 30 para refinanciar as hipotecas e evitar execuções. Além disso, estudam impor duras restrições ao pacote. Uma das exigências é a de que os US$ 700 bilhões pedidos pela Casa Branca, seja liberado em partes, e não de uma vez só. Outra opção discutida entre os democratas seria uma rápida votação sobre um trecho dos fundos buscados pela administração. O restante ficaria para mais tarde.

Ben Bernanke, presidente do Fed, apóia o plano do Tesouro para comprar títulos ligados às hipotecas sem liquidez e antecipou um cenário econômico pessimista caso nada seja feito para melhorar o Sistema Financeiro. “A intensificação do stress nas últimas semanas, que deixa os credores ainda mais cautelosos em estender créditos a famílias e a empresas, pode ser um obstáculo significativo ao crescimento”, disse.

Esse foi o resultado da reunião de sexta-feira, dia 26. A promessa é de aprovação desse pacote para essa semana mas o que resta é esperar para ver.

Alusão ao passado

O Banco Mundial (Bird) reconheceu que o sistema econômico mundial precisa ser repensado e um novo “Bretton Woods” precisa existir para que haja um acordo de cooperação entre os países. Um estudo ainda mantido em sigilo pelo Banco Mundial alerta que a atual estrutura internacional não é capaz de dar uma resposta aos desafios colocados pelo sistema financeiro que se implantou no mundo nos últimos anos.

No dia 1º de julho de 1944, em Bretton Woods, Estado de New Hampshire (EUA), foi iniciada uma conferência de 22 dias que acabou na criação do FMI e do Banco Mundial. Hoje, economistas do próprio banco admitem a necessidade de uma revisão.

“Hoje o que temos no mundo são instituições que promovem a liberalização de vários setores do mercado. Há uma cooperação internacional para debater a abertura do sistema. O que precisamos é de uma entidade ou de relações entre as entidades existentes que promovam a cooperação em prol de regulações das atividades financeiras”, alertou Aaditya Matoo, economista do Banco Mundial.

Quanto realmente valem US$ 700 bi?

Mais de US$ 2 mil para cada cidadão americano;
PIB da Argentina e do Chile juntos
70% do PIB do Canadá
Mais de 40 vezes o que a Nasa gastará neste ano fiscal.

(Fonte: "O Estado de São Paulo")

domingo, 21 de setembro de 2008

As conseqüências da quebra de um banco


Na segunda-feira, 15, o mundo presenciou um dos maiores ápices da crise financeira norte-americana. Foi decretada a falência do banco Lehman Brothers. Com 158 anos de atividade, a instituição foi derrubada pela crise das hipotecas de alto risco, o subprime, e acumula US$ 85 bilhões em ativos podres, principalmente o de caráter imobiliário. A solvência do Lehman – o quarto maior banco de investimentos americano – pode ter efeito devastador sobre o mercado financeiro mundial.

A quebra do banco de investimentos Lehman Brothers disseminou o temor sobre a saúde do sistema financeiro americano e provocou, pelo mundo, a maior queda (-7,59%) das bolsas de valores desde o ataque às torres gêmeas do World Trade Center.

"O mundo está caindo, mas não é surpresa. Tínhamos de passar por essa limpeza, com alguns bancos quebrando e outros sendo comprados. Quanto mais rápido for esse processo, mais rápido os EUA saem da crise", diz Celso Amorim

Para tentar sair dessa crise, o governo americano tem tomado atitudes emergenciais. Uma delas é o socorro que os Bancos Centrais das maiores economias tem prestado ao mercado financeiro. Esses bancos injetaram US$ 210 bilhões para acalmar o nervosismo no mercado interbancário. O Federal Reserve (Fed) entrou sozinho com 50 bilhões. Somados o Banco da Inglaterra (BoE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ) aplicara, 160 bilhões. Segundo Roberto Padovani, economista-chefe do banco WestLB, “essa atitude é fundamental para evitar a quebra em cadeia das instituições. Não se trata apenas de atuar no lado psicológico, mas de real escassez de liquidez, o que faz o bancos não terem como honrar os compromissos”.

Além dessa medida emergencial, o tesouro americano injetou US$ 40 bilhões no Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) para que esse banco consiga resgatar as instituições financeiras que quebraram nos últimos dias e outras que terão problemas em breve. Esse empréstimo foi feito, pois acredita-se que as reservas do Fed estão baixas, já que nos últimos seis meses emprestou US$ 29 bilhões para o JPMorgan, US$ 200 bilhões para a gigante Fannie Mae e Freddie Mac, dentre outros grandes empréstimos.


No Brasil


O Brasil tem conseqüências diretas dessa crise financeira nos EUA, mas o ministro da fazenda, Guido Mantega, acredita que se fosse em outro momento, a economia brasileira já “estaria de quatro”. Segundo ele, isso se deve porque hoje há melhores fundamentos fiscais e monetários, que possibilitam maior estabilidade à nossa economia. Ele disse no 5º Fórum de Economia realizado pela Escola de Economia de São Paulo e pela Getúlio Vargas, que a economia está estável e agüenta crises mais extensas, a única mudança é que a empresa brasileira vai substituir o mercado externo pelo interno.

Corrida de tartaruga

Nesta quinta-feira, 18 de setembro, foi publicado o resultado da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilio), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa, que tem o ano referência como 2007, teve 147.851 domicílios visitados em todo o país e 399.964 pessoas entrevistadas. A Pnad é publicada anualmente e é considerada o mais amplo levatamento sobre a realidade do País. Os dados apurados são em relação ao acesso a bens e serviços, abrangência da educação, panorama do mercado de trabalho e a evolução da renda do trabalhador. Além disso, mostra aspectos demográficos como fluxo migratório e taxa de natalidade. Estes dados são usado para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e informações sobre cultura e projeções da população.

Em uma avaliação geral os resultados no campo econômico da Pnad foram positivos. O índice de formalização do emprego foi recorde no ano passado, com 35,7% de trabalhadores registrados. O npumero de ocupados cresceu 4,6% no período em relação a 2006. Outro dado positivo foi a redução no número de crianças entre 5 e 17 anos que trabalhavam. O decréscimo foi de 171 mil em relação a 2006.

Apesar dos números positivos, esse avanço não foi tão significativo na área social e de igualdade. A pesquisa deste ano revelou que o Brasil se desenvolveu mais e que a desigualdade caiu, porém este avanço social é quase insignificante. Segundo Eduardo Giannetti da Fonseca, economista e professor do Ibemec - São Paulo, em entrevista para o jornal O Estado de São Paulo, é preciso uma reforma no mercado de trabalho. "Melhorias como o aumento de renda e do emprego formal não são suficientes para elevar a situação do país ao de nação desenvolvida nos próximos anos". Ele acredita que os números são positivos, mas o ritmo da melhoria é muito lento. "Em um ano excepcional para a economia que foi 2007, em que o PIB cresceu 5,2%, as melhorias são muito tímidas do ponto de vista social", diz. Apenas 35% da população economicamente ativa no Brasil tem uma situação regular de emprego.

A pesquisa revela que, no ano passado, ocorreu a maior redução na diferença entre ricos e pobres no Brasil desde 1990. A Pnad também revela que o índice de analfabetismo no Brasil diminuiu, colocando o País em 15° lugar em proporção aos países da América Latino e Caribe.

Um ponto positivo revelado pela pesquisa é que a cobertura prevdênciária e a rede de esgoto passaram de 50% em melhorias nas regiões Sul e Sudeste.

Giannetti reforça que o Brasil se aproxima de muitos países ricos em alguns indicadores, porém no quesito de distribuição de renda e recursos é como a de países muito pobres e em condições sociais muito limitadas. Segundo a pesquisa, o aumento no rendimento médio real dos trabalhadores nos últimos quatro anos foram insuficientes para recuperar as perdas ocorridas entre 1996 e 2003. Este ano, a renda dos ocupados chegou a R$ 960,00. Valor ¨% inferiror à de 1996 (R$ 1.023,00).

O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, declarou que que os dados revelados pela Pnad mostram um cenário "muito positivo". "Ainda temos 14 milhões de pessoas no país que não sabem ler nem escrever um bilhete simples. A maioria são gerações anteriores, que não tiveram acesso ao ensino, hoje mais universalizado. Mas esse indicador ainda é muito alto", afirmou Nunes.

A realidade é que nós estamos evoluindo, mas como em uma corrida de tartaruga. Nos resta acreditar na fábula da lebre e da tartaruga, na qual a tartaruga acaba vencendo a corrida contra a lebre. Ou seja, devemos acreditar que devagar se vai ao longe? Há esperança.