domingo, 21 de setembro de 2008

As conseqüências da quebra de um banco


Na segunda-feira, 15, o mundo presenciou um dos maiores ápices da crise financeira norte-americana. Foi decretada a falência do banco Lehman Brothers. Com 158 anos de atividade, a instituição foi derrubada pela crise das hipotecas de alto risco, o subprime, e acumula US$ 85 bilhões em ativos podres, principalmente o de caráter imobiliário. A solvência do Lehman – o quarto maior banco de investimentos americano – pode ter efeito devastador sobre o mercado financeiro mundial.

A quebra do banco de investimentos Lehman Brothers disseminou o temor sobre a saúde do sistema financeiro americano e provocou, pelo mundo, a maior queda (-7,59%) das bolsas de valores desde o ataque às torres gêmeas do World Trade Center.

"O mundo está caindo, mas não é surpresa. Tínhamos de passar por essa limpeza, com alguns bancos quebrando e outros sendo comprados. Quanto mais rápido for esse processo, mais rápido os EUA saem da crise", diz Celso Amorim

Para tentar sair dessa crise, o governo americano tem tomado atitudes emergenciais. Uma delas é o socorro que os Bancos Centrais das maiores economias tem prestado ao mercado financeiro. Esses bancos injetaram US$ 210 bilhões para acalmar o nervosismo no mercado interbancário. O Federal Reserve (Fed) entrou sozinho com 50 bilhões. Somados o Banco da Inglaterra (BoE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ) aplicara, 160 bilhões. Segundo Roberto Padovani, economista-chefe do banco WestLB, “essa atitude é fundamental para evitar a quebra em cadeia das instituições. Não se trata apenas de atuar no lado psicológico, mas de real escassez de liquidez, o que faz o bancos não terem como honrar os compromissos”.

Além dessa medida emergencial, o tesouro americano injetou US$ 40 bilhões no Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) para que esse banco consiga resgatar as instituições financeiras que quebraram nos últimos dias e outras que terão problemas em breve. Esse empréstimo foi feito, pois acredita-se que as reservas do Fed estão baixas, já que nos últimos seis meses emprestou US$ 29 bilhões para o JPMorgan, US$ 200 bilhões para a gigante Fannie Mae e Freddie Mac, dentre outros grandes empréstimos.


No Brasil


O Brasil tem conseqüências diretas dessa crise financeira nos EUA, mas o ministro da fazenda, Guido Mantega, acredita que se fosse em outro momento, a economia brasileira já “estaria de quatro”. Segundo ele, isso se deve porque hoje há melhores fundamentos fiscais e monetários, que possibilitam maior estabilidade à nossa economia. Ele disse no 5º Fórum de Economia realizado pela Escola de Economia de São Paulo e pela Getúlio Vargas, que a economia está estável e agüenta crises mais extensas, a única mudança é que a empresa brasileira vai substituir o mercado externo pelo interno.

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